O mercado de trabalho para o psicólogo


Mais do que estar habilitado emocionalmente para lidar com os problemas alheios, o psicólogo precisa estar preparado para enfrentar os próprios fantasmas. Longe de ser extinta, a profissão de lidar com os dramas e conflitos humanos, exige amadurecimento pessoal e gosto pelo estudo.

Veja vídeo ao lado sobre a carreira de psicologia

“O amadurecimento ocorre por meio de dois dispositivos importantes: o acompanhamento de um profissional mais experiente durante a formação e também com terapias para ajudar a compreender sua atuação”, diz a psicóloga Tatiana Benevides Magalhães Braga.
Arte (Foto: G1)
Se o crescimento pessoal é importante, a formação técnica também é imprescindível para se obter registro junto ao Conselho Regional de Psicologia e conseguir atuar oficialmente. O curso superior traz disciplinas que vão desde estatística até psicanálise. A duração é de quatro anos para bacharelado ou cinco anos para obter diploma em licenciatura.

Diferente do que acontecia há alguns anos, o mercado de trabalho do psicólogo não está mais restrito aos consultórios particulares. Profissionais formados em psicologia podem atuar nas áreas de assistência social, saúde, educação, recursos humanos, entre outros. Como não há um piso salarial nem carga horária definida, é comum que os psicólogos conciliem mais de um emprego em diferentes setores.

Por ser uma área ligada ao cuidado com o outro, a profissão por muitos anos esteve associada ao universo feminino. “Isso está mudando. Na verdade há um preconceito como se o ‘cuidado’ estivesse relacionado apenas ao campo feminino. O homem também cuida. O fato é de que há muito mais homens entrando e se formando nas universidades do que antes”, diz o psicólogo Allan Saffiotti.

Psiquiatra x psicólogo Apesar de haver confusão entre as duas carreiras, Saffiotti lembra as diferença entre elas. Para ser psquiatra é necessário se formar em medicina e fazer residência em psiquiatria. Por ser médico está habilitado a prescrever remédios, diferente do psicólogo, formado em psicologia.

A maneira de atuar também muda. “Enquanto o psiquiatra tende a ver a doença como uma questão orgânica que leva à medicação, o psicólogo vai tentar cuidar da pessoa por outro caminho, entendendo as causas dos problemas.” As práticas, segundo o psicólogo, se complementam e não se opõem.

Saffioti trabalha em uma clínica pública de saúde mental, em São Paulo, e atende psicóticos e neuróticos graves. “A vantagem de ser trabalhar em um Caps é atuar junto com uma equipe multidisciplinar, você nunca está sozinho cuidando dos pacientes. O trabalho é ao mesmo tempo gratificante e desgastante. Você cuida de pacientes que estão em uma situação miserável, mas tem a possibilidade de vê-lo, ao longo do tempo, se estruturar na vida. Isso não tem preço.”

 

Artigo retirado do G1/carreiras